O perfil do líder nunca foi tão importante. A pandemia do novo coronavírus trouxe mudanças em vários aspectos da nossa vida: turismo, higiene, educação, arquitetura. E um dos elementos imediatamente impactados pela doença (e que segue mudando) foi o trabalho. Entre trabalho remoto e medidas sanitárias, muitos profissionais, empresas e departamentos pessoais tiveram de se adaptar rapidamente e responder com eficácia à crise. Conheça algumas características que vieram para ficar nos cargos de liderança.

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Perfil do líder no começo da pandemia

Segundo pesquisas do início do isolamento social no Brasil, o home office era novidade para muitas empresas. As novas modalidades de trabalho, sem contato tão próximo, exigiram rapidez e flexibilidade de todos, especialmente dos cargos de liderança. É no líder que os funcionários se inspiram e buscam segurança em momentos de crise. Logo, uma postura calma e acessível no início da pandemia foi fundamental para manter a equipe segura.

Consultor de carreira e colunista da Exame, Fernando Mantovani destaca duas características essenciais durante esse momento: capacidade de redesenhar o cenário e habilidade interpessoal. A primeira delas reflete um líder capaz de olhar para o que está vivendo e admitir que precisa ajustar a rota, que imprevistos acontecem e que às vezes é necessário mudar o que estava planejado. Qual o contexto do seu negócio? Como a covid-19 afetou sua empresa? O que você precisou mudar e adaptar e o que ainda precisa ser feito? Algumas perguntas que podem ajudar a fazer uma análise realista da situação e agir em prol da sua equipe.

A segunda diz respeito ao relacionamento do líder com outras pessoas, seja da equipe direta ou da empresa e a inteligência emocional para compreender o turbilhão pelo qual estamos passando. Como seus funcionários estão lidando com o isolamento? E a saúde mental, como vai? O que você, como gestor, pode fazer para ajudá-los a passar com mais tranquilidade por esse momento?

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Novo perfil do líder: empatia em primeiro lugar

As pesquisas de tendência já apontam que o perfil do líder desejado após a pandemia será parecido com o de Brian Chesky. O CEO e cofundador do Airbnb precisou demitir mil e novecentos funcionários em 24 países com a pandemia (25% do total), quando viu seu negócio de 12 anos praticamente quebrar. A carta enviada aos demitidos viralizou e se tornou um exemplo de atitude de um líder empático, que consegue se colocar no lugar da equipe e tomar atitudes que efetivamente reduzem os danos da demissão, não ficam só no discurso, como manter os planos de saúde até o final de 2020.

Ser um líder que tem empatia significa se preocupar realmente com os colaboradores. Para além dos resultados. Significa se envolver com os problemas da força de trabalho, entender o que move seus colaboradores e tentar se colocar no lugar deles.

Sem dúvidas é preciso ainda mais empatia para liderar pessoas à distância. Como os espaços de convivência e interação diminuíram, o gestor é responsável por conseguir manter a união do time e motivar em atividades de integração, reuniões de alinhamento, além de aumentar a comunicação para diminuir os ruídos. Isso tudo sem aumentar a carga de trabalho que já está pesada para a maioria dos trabalhadores e lembrando as características que influenciam em nossa rotina como filhos, trabalho doméstico, animais, atividade física e lazer. Ter em mente que liderar a equipe é incentivar tempo para além do trabalho e respeitar os combinados, já é um ótimo exemplo.

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O perfil do líder da pandemia: capaz de lidar com o maior desafio dos últimos tempos, a depressão

Confiança é o traço mais desejado em um líder, segundo pesquisa de 2019, feita pela Companhia de Talentos. E é uma característica que apenas 37% dos entrevistados afirmaram ter em seus chefes. Em cenários desoladores para a saúde mental, mesmo antes da pandemia, como o descrito pela OMS em que a depressão seria a doença que mais incapacitaria profissionais em 2020, confiar no seu gestor é primordial. E vice-versa, pois ele precisa confiar no funcionário para garantir autonomia e boas entregas, mesmo à distância.

O Brasil tem altos índices de depressão e ansiedade, que se refletem na carreira e no trabalho. Um líder precisa ser capaz de lidar com esse desafio, que só aumentou durante a pandemia. O isolamento social e os novos hábitos exacerbaram medos, angústias, atrapalharam sono, rotina, produtividade e aumentaram o estresse. Quem está mais atento a essas oscilações e o principal, não desconsidera a depressão e transtornos de ansiedade, diminuindo sua gravidade, se destaca como líder do futuro.

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Perfil do líder pós-pandemia: os legados do coronavírus

Os novos líderes devem sair da crise mais aptos a lidarem com cenários de incerteza, mais dispostos a correr e assumir riscos, mais aptos a lidar com diferenças, mais abertos e comunicativos, atentos e empáticos. É preciso estar atualizado, saber trabalhar sob pressão, ser resiliente e motivar os outros, além de se manter motivado. É preciso desenvolver as tão faladas soft skills, comunicação, habilidades de trabalhar e colaborar em grupo, organização, criatividade.

Pesquisa da FGV aponta que o home office veio para ficar e prevê um aumento de 30% dessa modalidade após a retomada das atividades. Além do trabalho remoto, vamos nos acostumar a workshops online, plataformas online de integração, pausas para o cafezinho longe da câmera e escritórios remodelados.

Crises como essa, que afetou o mundo inteiro, também servem para reposicionar as prioridades de todos: do estagiário da empresa até o fundador. Os líderes de amanhã precisam estar preparados no hoje para lidar com toda instabilidade emocional, medo e descrença diante de uma pandemia que tirou todo nosso controle e catalisou sentimentos de desânimo, vazio existencial, desespero. É preciso parar e refletir: o que estamos fazendo com nossos dias? Como estamos trabalhando e o que podemos melhorar? Como pode ser mais leve e prazeroso fazer o que eu faço? Perguntas motivadoras de novas atitudes, que refletem em propósito, jornada e carreira.

Você tem outras questões sobre trabalho e pandemia? Esse artigo sobre produtividade no home office pode te ajudar!